Inteligência Artificial: promessa x realidade.

 

A Inteligência Artificial, ou IA como é popularmente chamada, está presente no nosso cotidiano já faz tempo e há muito deixou de ser assunto somente dos amantes da ficção científica e ganhou as ruas. Está presente nas conversas do dia a dia, seja nos meios acadêmicos, nas empresas, ou nas conversas dos leigos em momentos de lazer. De um lado, as empresas oferecem um mundo de possibilidades futuristas e ainda incompreensíveis para o maravilhado usuário comum. De outro, os fatalistas, que preveem um futuro sombrio para o uso indiscriminado das IAs. E há os que não acreditam nas maravilhas alardeadas aos quatro ventos pelas empresas desenvolvedoras dessas inteligências, abastecidas pelos muitos terabytes de dados produzidos pela inteligência humana ao longo de décadas.

 

Professor Rafael Azzi, da PUC Rio.

 

Para agregar ao debate, o Centro Cultural Municipal Oduvaldo Vianna Filho, mais conhecido pelos cariocas como Castelinho do Flamengo, convidou o professor de filosofia Rafael Azzi, da PUC Rio, um apaixonado por ficção científica, para conversar sobre o assunto. Em pouco mais de uma hora e meia, buscando trazer uma visão humanista, o professor traçou como objetivo da palestra a desmistificação da inteligência artificial, isolando as narrativas fantasiosas e procurando “refletir sobre o futuro da relação entre humanos e máquinas”.

Apesar da vastidão do assunto, na palestra Inteligência Artificial: do sonho da ficção à realidade do século XXI, Rafael traçou um panorama geral das IAs, passando pelas relações pessoais, de trabalho e sua aplicação na arte e na educação. Através de estudos e artigos acadêmicos, o professor foi descortinando questões fundamentais para suscitar a reflexão e agregar, de forma consistente, ao debate sobre a necessidade de uma regulação séria e assertiva para o bom uso dessa tecnologia que veio para ficar. Azzi fez importantes alertas sobre as empresas desenvolvedoras das IAs, que estabelecem o viés algorítmico de acordo com os dados armazenados e coletados. Esse viés fica claro no estudo que apresentou a resposta da IA para perguntas como em que país estão, por exemplo, as pessoas mais inteligentes, ou as mais bonitas. Sem apresentar os parâmetros utilizados, a IA dividiu o mundo dos bonitos e inteligentes conforme o viés da sua programação. Como bom filósofo, Rafael ressaltou a subjetividade desses conceitos e de como pode ser prejudicial deixar uma máquina definir quem é o mais belo, ou o mais inteligente. A que interesses esse tipo de “definição” poderia atender? “Essas escolhas das IAs refletem o viés de quem as programou”, destacou o professor.

Nas artes, Rafael foi categórico ao falar sobre a capacidade de criação das IAs. “A IA usa todos os dados das obras baixadas. Não cria nada”, enfatizou. Para ilustrar essa afirmação, ele usou o próprio cartaz de divulgação do evento e solicitou a IA que fizesse um desenho da sua foto. Segundo ele, a imagem não deixa dúvidas sobre o uso de traços de trabalhos de autores conhecidos para realizar a tarefa. Ele acrescenta ainda que as IAs “não têm ética, ou moral” e sim, uma monumental base de dados.

 

 

Para aqueles que apostam na capacidade das IAs de inventar, criar, produzir algo novo, o professor ressalta que “existe uma diferença enorme entre reconhecimento de padrões e raciocínio”. Para ele, os modelos de linguagem, ou LLMs (Large Language Models, ou Grandes Modelos de Linguagem), sabem tudo, mas não compreendem nada”, conclui.

 

3 comentários em “Inteligência Artificial: promessa x realidade.

  • segunda-feira, 9 de março de 2026 em 23:40
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    Excelente matéria. Fiquei curioso em assistir. Tem algum link no youtube da palestra?

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  • terça-feira, 10 de março de 2026 em 00:11
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    Muito obrigado!!!

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